A reciclagem tem um conceito bastante simples: pegue alguma coisa que não tem mais utilidade
e transforme-a em alguma coisa nova em vez de simplesmente jogá-la fora. Pode ser qualquer coisa, desde a
reciclagem de papel
velho em papel novo até a transformação de uma antiga calota em uma
banheira de passarinhos decorativa. Na realidade, a reciclagem pode se
tornar bastante complexa: como ela interage
com nosso ambiente,
nossa política, nossa economia e até mesmo com nossos próprios padrões
de comportamento humano, exerce um papel importante no futuro de nosso
planeta. Neste artigo, veremos o que é reciclagem, por que e como ela funciona e algumas críticas a essa prática.No
Brasil, a reciclagem ainda engatinha. Uma pesquisa do governo federal
mostra que apenas 0,8% do lixo é reciclado. O balanço feito em 2008
abrange 247 municípios.
O que é reciclagem?A reciclagem pode
assumir várias formas. Em uma escala menor, sempre que você encontra um
novo uso para alguma coisa velha, você está reciclando. Um exemplo é
transformar caixas de cereal velhas em porta-revistas [fonte:
All Free Crafts - em inglês].
 Foto cedida morgueFilsLatas de alumínio são descarregadas no centro de reciclagem.Confira nossa galeria de imagens ambientais (em inglês).
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A reciclagem se torna mais importante em escalas maiores.
Nesse nível, bens de consumo usados são coletados, convertidos de volta
em matéria-prima e refeitos em novos produtos de consumo.
Latas de alumínio, papel de escritório, aço de prédios velhos e
recipientes de plástico
são todos exemplos de materiais comumente reciclados em grandes
quantidades, geralmente por meio de programas municipais que encorajam
as coletas domésticas em grande escala.
É raro um produto reciclado ser exatamente do mesmo material
original a partir do qual ele foi reciclado. Papel reciclado, por
exemplo, contém resíduos de tinta e fibras mais curtas que papel virgem
(papel feito de polpa de madeira). Por causa disso, ele pode ser menos
desejável para alguns propósitos, como papel para
copiadoras. Quando um bem reciclado é mais barato ou mais frágil que o produto original, é conhecido como
ciclo inferior
(ou reciclagem descendente). Eventualmente, os produtos caem tanto no
fluxo de reciclagem que se torna inviável reciclá-los novamente. Após
ser reciclado algumas vezes, o papel não é mais utilizável. Em alguns
casos, os produtos podem passar por um
ciclo superior,
transformados em alguma coisa mais valiosa que o produto original. Um
exemplo é uma empresa que faz reciclagem ascendente, transformando
jornais velhos e latas de alumínio em móveis artísticos [fonte:
Stovell Design - em inglês].
Fenômeno brasileiro No Brasil, é impensável falar em reciclagem sem citar os catadores de materiais e suas cooperativas. Não existem números fechados, mas calcula-se que existam de 300 mil a 1 milhão de catadores em atividade no país.
Não
é para menos, a população brasileira gera diariamente cerca de 126 mil
toneladas de lixo de consumo (excluindo dejetos industriais e
empresariais). Não fossem os catadores, tudo acabaria em aterros
sanitários e lixões.
A
profissão, no entanto, é desgastante e insalubre. A maioria dos
catadores perambula 30 quilômetros por dia em média, puxando até 400
quilos, em busca de materiais que, muitas vezes, só são encontrados
dentro de sacos de lixo. Tudo isso para ganhar de um a dois salários
mínimos por mês.
Apesar disso, as cooperativas são verdadeiros
centros de reabilitação social e promoção de cidadania, por possibilitam
a geração de renda para uma parcela da população socialmente excluída e
sem instrução. Cumprem um importante papel de desenvolvimento sustentável da sociedade brasileira. |
Benefícios da reciclagem
A maioria das razões pelas quais reciclamos é ambiental, ainda que algumas sejam econômicas.
Lixo em excessoUma das principais razões para a reciclagem é reduzir a quantidade de lixo enviada para os
aterros.
O uso de aterros atingiu seu ápice na década de 80, quando os
americanos mandaram quase 150 milhões de toneladas de lixo para aterros
por ano. Atualmente, ainda são lançados mais de 100 milhões de toneladas
de lixo em aterros anualmente [fonte:
Hall].
Apesar de os aterros sanitários modernos serem mais seguros e menos
incômodos do que os depósitos abertos do passado, ninguém gosta de ter
um deles por perto. Nas áreas densamente povoadas, o espaço para aterros
é escasso. Onde há muito espaço, enchê-lo com lixo não é uma solução
muito boa para o problema.
Em 2006, os esforços de reciclagem nos
Estados Unidos desviavam 32% do lixo dos aterros. Isso evita que mais de
60 milhões de toneladas de lixo acabem em aterros anualmente [fonte:
EPA - em inglês].
 Fotógrafo: Pryzmat | Agência: DreamstimeLixo transborda em um aterro |
Poluição do chorume do aterroOs aterros
causam um outro problema, além de ocupar muito espaço. A diversidade
das químicas lançadas nos aterros e as químicas resultantes da
decomposição do lixo se misturam em um
caldo tóxico conhecido como chorume, que cria enormes quantidades de poluição. O chorume pode vazar do aterro e
contaminar lençóis freáticos.
Atualmente, tampas de argila impermeáveis e coberturas plásticas evitam
que grande parte do chorume vaze, tornando os aterros muito mais
seguros do que eram algumas décadas atrás. Qualquer chorume, porém, é
muito se ele estiver penetrando em sua vizinhança.
Bens novos consomem recursos Fabricar um
produto novinho em folha sem qualquer material reciclado causa o
esgotamento de recursos naturais no processo de manufatura. O papel usa a
polpa de madeira das árvores, ao passo que a fabricação de plástico
requer o uso de combustíveis fósseis, como
petróleo e gás natural. Fazer alguma coisa com materiais reciclados significa usar menos recursos naturais.
A reciclagem (às vezes) usa menos energiaHá
muito espaço para debate sobre esse aspecto da reciclagem, mas muitos
processos de reciclagem requerem menos energia do que os fabricantes
precisariam para fazer o mesmo item novinho em folha. A fabricação de
plástico é muito barata, e alguns bens de plástico podem ser difíceis de
reciclar eficientemente. Nesses casos, o processo de reciclagem
provavelmente consome mais energia. Também pode ser difícil calcular
todos os custos de energia ao longo da cadeia de produção inteira. A
reciclagem de
aço certamente usa menos energia que o processo inteiro de mineração do minério de
ferro,
refinamento e forja de aço novo. Alguns alegam que a frota de caminhões
de reciclagem que coleta plástico e papel de porta em porta
semanalmente nas cidades abala o equilíbrio da energia contra a
reciclagem. O uso da energia é um fator que deve ser considerado caso a
caso.
DinheiroA reciclagem tem uma série de impactos
econômicos. Para as empresas que compram bens usados, os reciclam e
revendem como produtos novos, a reciclagem é a fonte de toda sua
receita. Para cidades em áreas densamente povoadas que devem pagar por
tonelagem para usar seus aterros, a reciclagem pode cortar milhões de
dólares dos orçamentos municipais. A indústria da reciclagem pode ter um
impacto ainda mais amplo. Análises econômicas mostram que a reciclagem
pode ser três vezes rentável por tonelada do que
aterros, bem como gerar quase seis vezes o número de empregos.
No Brasil, um dos protagonistas da cadeia de reciclagem são as
cooperativas de catadores.
Elas tem sido responsáveis pela melhoria das estatísticas de
reciclagem, além de serem verdadeiros mecanismos de inclusão social (são
uma alternativa efetiva de trabalho para boa parte da população carente
do País).